Relato de parto do Miguel
Eram cinco horas da manhã quando uma contração percorreu intensamente a minha barriga e estendeu-se até a minha espinha. Sentei na cama. Um misto de susto, alegria e dor me puseram desperta. Algo me dizia que agora era para valer. Eu tinha sentido essa mesma dor quando, sem esperar, entrei em trabalho de parto na gravidez da Laura. Naquela ocasião, demorei para entender o que eram aquelas dores, mas não agora. Dessa vez, eu estava esperando essas dores. Ainda sonolenta, fiquei esperando para ver se a dor se repetia. Se ficasse rítmica, era hora de acionar o médico, mas nada mais aconteceu. Deitei, esperei mais um pouco e acabei dormindo novamente.
Às sete e meia da manhã, nova contração, com a mesma intensidade, correndo até a espinha. Assim que passou, não dei bola. Não adiantava nada ficar ansiosa contando o tempo para a próxima se ela fosse demorar 2h30 de novo para acontecer. Ainda deitada, esperando o despertador tocar, aconteceu novamente. “Opa, duas em menos de dez minutos… é hoje!”. Pulei da cama e fui tomar banho. Já que a gente não sabe o que nos espera é bom estar limpinha e cheirosa para o que der e vier, né? No chuveiro, a terceira contração seguida me fez arquear as costas quando chegou próximo à coluna de novo.
Laura estava no meu quarto e para não causar alarde na pequenina, apenas chamei o maridão e disse que naquela manhã de quinta-feira ela não iria à natação e nem ao balé porque eu precisava ir ao médico. Ele entendeu o recado, preparou o café da manhã como se nada houvesse, arrumamos tudo e fomos levá-la à escola. No caminho, entrei em contato com o médico e depois seguimos para a maternidade. A essas alturas, as contrações estavam menos intensas, mas mais frequentes. Assim que chegamos lá, novo cardiotoco e a obstetriz que veio me examinar anunciou 1,0 cm de dilatação e o bebê ainda estava alto. Eram 10h30 e achei que fossem me mandar voltar para casa, mas pelo ritmo das contrações, ela e meu obstetra optaram por me internar naquela mesma hora e avaliar de hora em hora a progressão do trabalho de parto.
Jejum de comida, jejum de água, dores e muitos cardiotocos. Marido ali, do meu lado, me ouvindo reclamar das contrações e fazendo ligações para minha mãe e para a Dani, uma amiga nossa, para que alguém buscasse a Laurinha na escola. Como combinado, não avisaríamos mais ninguém, porque eu acho um horror aquele circo de família inteira na maternidade, esperando a criança nascer e transformando o pronto atendimento em sala de estar da casa da mãe Joana.
Às 14 horas me encaminharam para a suíte de parto e lá vem outra obstetriz: 1,5 cm de dilatação e bebê ainda alto. Oi? Eu estou com dores desde às 7h30 da manhã, com fome e com sede e nesse intervalo a dilatação aumentou míseros cinco milímetros??? Mas eu estava muito decidida a aguentar firme, esperar. “Ele vai descer! Né, filhote? A mamãe vai esperar e quando você estiver pronto, você vem”. Aquela tarde pareceu durar uma eternidade. O tempo não passava, as horas não corriam. No ipod, Jack Johnson e David Matthews, para acalmar a alma.
Final de tarde chegou, eu estava completando 12 horas de trabalho de parto e pedi ao marido para ligar para o médico. Embora a maternidade faça esse meio de campo, eu queria saber que horas ele chegaria, quanto mais eu teria que esperar? E se ele não descesse? Etto ligou, conversou com ele, explicou a minha angústia e o médico respondeu com tranquillidade: “Os exames do bebê estão bem. Se ela agüentou firme até agora, vamos esperar mais um pouco, ainda há chances. Por volta das 21 horas eu chego aí, a gente examina de novo e decide o que fazer. Foram as duas horas mais longas do dia.
Quando Dr. Rubens abriu a porta da suíte de parto, sinto que tiraram uma carga enorme de cima de mim, mas antes mesmo que ele me examinasse, eu avisei: ele não desceu, doutor. Estou sentindo os pezinhos dele se mexendo aqui em cima, bem no alto. Ele fez o toque e constatou o que eu acabara de dizer: Miguel estava alto, minha dilatação mal chegava a dois centímetros e o cardiotoco apontava batimentos irregulares do bebê. Acendeu a luz amarela e partimos para a cesárea.
Eu achei que fosse ficar profundamente decepcionada comigo por não ter conseguido o tão sonhado parto normal, mas não. Eu estava confiante de que naquela situação, a cesárea era a escolha certa. Eu não ia arriscar a segurança do Miguel por uma vontade minha. O cardiotoco estava muito alterado, ele estava agitado e se mexendo bastante… Fui tranquila para a mesa de cirurgia, a equipe era ótima (como foi também no nascimento da Laura). Dr. Alberto, o anestesista, ficou surpreso quando perguntou o nome do anestesista do primeiro parto e eu respondi sem pestanejar: Dr. Marcelo. “Uau. Isso é inédito, nenhuma paciente costuma lembrar”. E como eu poderia esquecer, esses anestesistas são mágicos…
Foi minha segunda cesárea, mas um parto nunca é igual ao outro. No parto da Laura, eu mal lembro o percurso que fiz do pronto atendimento até o centro cirúrgico, não me lembro de ter sentido os médicos “mexendo” em minha barriga e quando fui para a recuperação anestésica, lembro apenas de chorar e cochilar. Tudo isso, sem dúvida, resultado do parto de emergência, da alegria de ver a Laura pela primeira vez e da dor da perda da Beatriz.
Dessa vez era diferente. Eu estava consciente de tudo. Estava na mesa de cirurgia por uma decisão muito bem ponderada e já que tinha que ser assim, fiquei atenta a cada detalhe. Senti a anestesia aquecer minhas pernas, senti (sem dor) o mexe-mexe dos médicos, abrindo e fechando o corte, senti o cheiro de gordura queimada pelo bisturi elétrico. E de repente, ouvi o choro e o comentário espantado dos médicos: “que menino grande! Tem uma circular no pescoço e mecônio na bolsa”. Foram 14 horas de trabalho de parto até optarmos pela cesárea e foi a decisão mais acertada. A circular de cordão no pescoço não o deixava descer para forçar a passagem para um parto normal.
Miguel nasceu às 22:24 do dia 09 de fevereiro, com 3.700 kg e 51 cm. Quando me trouxeram ele, meu primeiro instinto, absolutamente mamífero, foi cheirá-lo. Em seguida, chorei, mas dessa vez, era pura alegria.






























Preciso dizer que meu olhinho encheu de lágrima? Eita amiga corajosa que eu tenho. Que delícia vai ser pro Miguel ler esse relato quando ele tiver idade para tal. Parabéns, Lê! Estou doida para conhecer o grandão!
Momento mais esperado de os nossos filhos nos nossos braços. E como ele é grande, jezuis!! Muitos cheiros e beijos nesse bb lindinho e outro em vc.
E eu tremia mais que vara verde. Foi muito lindo esse momento, ainda mais ao lado de uma mulher tão corajosa e forte como essa. Amo muito.
Lindo, Le! E como anda a amamentação deste bebezão? Queremos relato!
Beijos
Que lindo! Emocionante! Parabéns mais uma vez!
bjos
Que lindo! Parabéns!
Te leio há tempos, sempre quietinha, mas quem resiste a um relato de parto né? Rs…
Muitas felicidades pra essa família linda!
Parabéns pelo Miguel, que nasceu grandão e lindo!
E parabéns para você, guerreira, por mais esse parto!
Beijos
Priscilla
Parabéns, Lê!!!! Ai que delícia!! Que coisa boa que o Miguel veio no tempo dele, forte e saudável!! Muitas felicidades pra família inteira.
Ah, chorei né?
Leticia! Parabéns pelo nascimento do Miguel! Demorei a comentar pq o Pedro também nasceu por estes dias e aí já viu a corrida, né? rsrsrs Muitas felicidades para vcs! Beijos, Nine
Lindo, Lele! Parabéns!!
Queremos muito conhecer o Miguel!!
Beijo grande, Ma, Le, Manu e Cissa.
Que lindo!
E que grandão que ele nasceu! Parabéns pra toda a family!
Já já sou eu… mal posso esperar
bjins
Ai, Le… cheguei hoje de viagem e só agora li o relato. Me emocionei tanto!!! Porque você ficou feliz, porque você teve o controle da situação, porque ele nasceu bem e tudo deu certo. Se foi uma cesárea nesse caso, é um mero detalhe.
Beijos e muuuuuita, mas muuuuuuuita saúde pro Miguel, alegria pra Laura de ter um irmãozinho e disposição pra você e pro Etto (hehehe).
Beijo enorme
Rô