Amor fraterno

Feb 24, 2012 by

A espera pelo nascimento do Miguel foi, para nós, carregada de uma grande expectativa para saber como a Laura reagiria quando ele finalmente viesse ao mundo. Ela mudou de comportamento diversas vezes ao longo da gravidez. No começo não queria de jeito nenhum. Depois aceitou desde que fosse uma irmãzinha. Chorou no ultrassom quando o médico disse que era menino. Quando se acostumou com a idéia, foi ela quem escolheu o nome entre as opções finais. Conversou bastante com a barriga nos meses seguintes. Ficou ansiosa para que nascesse logo para eles brincarem. Quando conheceu a Isadora, irmãzinha de sua melhor amiga, descobriu que recém-nascidos não fazem nada a não ser dormir e mamar, e a expectativa baixou. Aguardou tranquilamente até as últimas semanas. Na reta final, ficou dengosa. Tudo tinha que ser a mamãe, parecia que ela estava pressentindo que seu reinado de filha única estava chegando ao fim e decidiu aproveitar cada um dos segundos de exclusividade que havia entre nós. E assim foi.

No dia do nascimento do Miguel, ela foi para a escola normalmente e não estranhou nadica de nada o fato de a Dani, amiga da família, ter ido buscá-la na escola. Pelo contrário. Foram ao parque, brincaram, se divertiram e ela foi dormir na casa da minha mãe, sem qualquer notícia dos pais. Não perguntou nada e nada lhe contamos. Quando acordei na manhã de sexta-feira, meu coração se encheu de expectativa. Eu não via a hora de trazerem o Miguel para o quarto da maternidade novamente e contava os minutos para minha mãe chegar com a Laura para conhecer o tão esperado irmãozinho.

Perto da hora do almoço, elas chegaram. Ao vê-la na porta do quarto meus olhos já se encheram de lágrima e deu uma vontade enorme de pular da cama e abraçá-la forte para fazê-la se sentir segura de que nada mudou no quanto a amamos. Mentira! A verdadeira razão para tanta emoção é que vê-lo ali tão pequenino no bercinho, fez dela uma gigante. É como se a minha pequenina tivesse crescido uns dois metros e meio em uma noite e se com um abraço apertado eu pudesse deter esse crescimento rápido. Ela olhou com aquela cara de sapeca e não era mais o meu bebê, era uma mocinha com os olhinhos ansiosos percorrendo o quarto e sem saber se corria para mim, para o pai ou para o berço do irmão. Correu para o pai, depois subiu na cama comigo, foi limpar as mãozinhas com álcool em gel e ficou fazendo carinho no irmão.

Laura tem demonstrado amor e carinho incondicionais pelo Miguel desde o primeiro momento que o viu. Ela beija, pede para pegar no colo, faz cafuné, canta para ele. Se ele chora e demoro mais de 30 segundos para levantar, levo uma bronca danada, porque ele está com fome. Quando a vovó Virginia sugeriu que ele comesse pizza com a gente, ela chorou, dizendo que não podia. Ela ajuda no banho, mas jamais na troca de fraldas… “É muito fedô, mamãe!”. Mesmo na hora de dormir, ela tem sido compreensiva e apesar de fazer um pouco de manha, tem aceitado que o pai seja sempre o eleito para deitar com ela e esperar que adormeça. Consegui deitar com ela dois dias desde que o Miguel nasceu, e ela dormiu agarrada bem forte à minha mão.
Muitas são as profecias que ouvimos ao longo da segunda gravidez sobre as reações do filho mais velho à chegada do bebê e, vocês sabem, o que as pessoas mais gostam de fazer ao conversar com uma grávida é contar casos. Até quem nunca teve filhos tem uma história de irmãos para contar: “Ih, a filha mais velha da vizinha da minha cunhada voltou a…” Aí, você pode preencher a lacuna com chupar chupeta, fazer xixi na cama, usar fraldas ou qualquer outro tipo de regressão que vier à cabeça. Há também a vertente trágica que transforma o primogênito em serial killer: “Jamais deixe eles sozinhos juntos. O filho mais velho do chefe do meu ex-namorado …” E aqui, as opções são: jogou o bebê do berço, colocou o mais novo no lixo, tentou afogar o bebê na privada, sufocou o pequeno com um travesseiro ou qualquer outro tipo de plano maléfico que uma criança possa elaborar.

No nosso caso, nenhuma se concretizou. Pelo menos, não até agora. Aqui as coisas caminham a passos curtos e cheios de carinho, como vocês podem ver no vídeo.

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6 Comments

  1. Letícia,
    Te ví agora exatamente igual ao dia em que o Gui foi conhecer a irmãzinha no hospital, eu também chorei, a minha vontade era a de abraçá-lo e dizer que nada tinha mudado, mas mudou, né!!! Pra melhor!!!
    Hoje a Ciça tem 1 e 2 meses, os dois se adoram, ele chama ela de “minha fofa”, lindo de ver!!! Existem sim as “rusgas” e a gente até brinca que ela é o Godzilla das brincadeiras dele. Mas o importante é que eles se amam!!!!

  2. ai, chorei de novo! vou parar de ler o blog no trabalho para não ficar emotiva no escritório!!

  3. Letícia, arrancou lágrimas aqui de mim. Eu que espero meu segundinho/segundinha e estou aqui só na expectativa de como será a relação entre eles…
    Lindo!
    Beijos

  4. Fernanda Burjato

    Tive que parar de ler no meio por que comecei a chorar! Pode? Sim, claro que pode! Simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO Le, parabéns, beijos Fer

  5. Gisele

    Q grande exemplo de confiança , assim posso ate pensar no segundo com coragem , quem sabe, com amor e dedicaçao tudo caminha se melhor !!! Parabens para a Laura q esta cuidando muito bem do irmaozinho Miguel … parabens gatinha !!! beijos para vcs Etto e Leticia !!

  6. Letícia, nossa, quanto amor! Que delícia! Ela tá linda e, realmente, eles ficam tão grandes qd viram irmãos mais velhos! rs
    bjs

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