Esse post é candidato ao concurso O melhor post do mundo da Limetree
Amor de irmão é cheio de fases desde o primeiro momento. Ora a gente ama, ora não quer nem ouvir falar em nossos irmãos e, em casa, não foi diferente. A espera pelo nascimento do Miguel foi, para nós, carregada de uma grande expectativa para saber como a Laura reagiria quando ele finalmente viesse ao mundo. Ela mudou de comportamento diversas vezes ao longo da gravidez.
No início, não existia. Ela não queria um irmão de jeito nenhum. Assim que a sementinha plantou-se no colo do meu útero, a sementinha do amor começou a brotar no coração da Laura, mas desde que fosse uma irmãzinha. Quando o médico anunciou que era menino, tivemos a primeira crise de irmãos. Ela chorou, ficou brava e quando se acostumou com a idéia, fez questão de escolher o nome: Miguel.
Conversou bastante com a barriga nos meses seguintes. Ficou ansiosa para que ele nascesse logo para brincarem juntos, mas o longo tempo de gestação fez a expectativa baixar e depois de muitas emoções iniciais, veio a calmaria. Ela aguardou tranquilamente até as últimas semanas e, na reta final, ficou dengosa. Estava feita a conexão entre eles e ela pressentia que seu reinado de filha única estava chegando ao fim e decidiu aproveitar cada um dos segundos de exclusividade que havia entre nós.
No dia do nascimento do Miguel, ela foi para a escola normalmente e depois dormiu na casa da minha mãe, sem qualquer notícia dos pais. Ele nasceu às 22 horas. Depois de 14 horas de trabalho de parto, tivemos que aceitar a cesárea. Quando acordei na manhã seguinte, meu coração se encheu de expectativa. Eu não via a hora de trazerem o Miguel para o quarto da maternidade novamente e contava os minutos para minha mãe chegar com a Laura para conhecer o tão esperado irmão.
Perto da hora do almoço, elas chegaram. Ao vê-la na porta do quarto meus olhos já se encheram de lágrimas e deu uma vontade enorme de pular da cama e abraçá-la forte para fazê-la se sentir segura de que nada mudou no quanto a amamos. Mentira! A verdadeira razão para tanta emoção é que vê-lo ali tão pequenino no bercinho, fez dela uma gigante. É como se a minha garotinha tivesse crescido uns dois metros e meio em uma noite e se com um abraço apertado eu pudesse deter esse crescimento rápido. Ela olhou com aquela cara de sapeca e não era mais o meu bebê, era uma mocinha com os olhinhos ansiosos percorrendo o quarto e sem saber se corria para mim, para o pai ou para o berço do irmão. Naquele dia, eles se tocaram pela primeira vez e ela olhou encantada, com os olhos brilhantes para ele.
Desde então, tem demonstrado amor e carinho incondicionais pelo Miguel. Ela beija, pede para pegar no colo, faz cafuné, canta para ele, lê histórias. E o amor foi crescendo com eles e quase morro de orgulho e de SUSTO!
Dia desses, eu estava estendendo a roupa no varal e deixei o Miguel no carrinho, na sala, enquanto Laura assistia televisão. De repente, ouvi do quintal gemidos de quem faz força seguidos por um orgulhoso “Consegui!”. Conseguiu o quê? Espiei pelo vão entre a janela e a cortina e vi a Laura carregando o irmão, com as costas arqueadas para trás e sustentando os quase 7 kg de bebê sobre a barriga. Fiquei desesperada e…
A) cataploft – caí dura no quintal, vítima de enfarto?
B) gritei um sonoro “larga o seu irmão” e cataploft, o menino foi ao chão?
C) com sangue de barata e andar de gato corri para a sala sem assustá-la?
Quem disse “C” acertou. Não sei como, nem por quê, mas foi assim que ela chegou vitoriosa ao sofá, deitou o irmão e eu cheguei para explicar os riscos do que ela tinha feito.
E ontem, pensando no que escrever par ao melhor post do mundo, eu o flagrei ali, observando a irmã, com os mesmo olhos brilhantes que ela tinha quando o viu pela primeira vez e um sorriso banguela revelando a paixão enorme que há entre eles. E eu? Fico aqui, observando um amor que cresce, cresce, cresce e sempre cabe mais.
Esse post é um pout-pourri de posts já publicados aqui no blog.















